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Negócios criam escolas para fomentar o próprio setor com atuação de pequenos

Atualizado: 8 de Jun de 2019

Empresas miram na formação de empreendedores que já utilizam ou desejam trabalhar com sua matéria-prima


Mateus Apud *, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2019 | 06h00


O movimento de empresas de diferentes setores que criam escolas e cursos de formação com o objetivo não só de disseminar conhecimento sobre o produto vendido, mas principalmente de fortalecer o mercado em que atuam, tem crescido com o olho focado no empreendedor. Iniciativas de empresas como Callebaut, Um Coffee e Zôdio fortalecem a matriz e geram oportunidade para quem deseja abrir o próprio negócio.


Para o professor do Centro de Estudos em Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV-EAESP Marcus Salusse, essas escolas são vantajosas para os dois lados, pois aumentam a percepção de valor da marca e, de certa forma, chancelam a atuação de novos empreendedores que utilizam seus produtos. “Essas escolas aumentam a fidelidade do consumidor da própria marca, seja ele o final ou o B2B. Além disso, elas ainda ajudam no crescimento de negócios que usam seus produtos como matéria-prima”, analisa Salusse


A Barry Callebaut, uma das líderes mundiais na produção de chocolate de alta qualidade, é um exemplo de empresa que criou o próprio centro de ensino, a Chocolate Academy, fundada em 2013. Com 60 fábricas em 30 países, a marca opera a Chocolate Academy em 20, e o Brasil é um deles, com sede na Avenida Paulista coordenada pelo chef francês Bertrand Busquet. 


Marca ensina técnicas e receitas a MEIs que trabalham com produtos derivados do chocolate, como bombons e ovos de Páscoa Foto: Monica Bento

Mateus Apud *, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2019 | 06h00

O movimento de empresas de diferentes setores que criam escolas e cursos de formação com o objetivo não só de disseminar conhecimento sobre o produto vendido, mas principalmente de fortalecer o mercado em que atuam, tem crescido com o olho focado no empreendedor. Iniciativas de empresas como Callebaut, Um Coffee e Zôdio fortalecem a matriz e geram oportunidade para quem deseja abrir o próprio negócio.


Para o professor do Centro de Estudos em Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV-EAESP Marcus Salusse, essas escolas são vantajosas para os dois lados, pois aumentam a percepção de valor da marca e, de certa forma, chancelam a atuação de novos empreendedores que utilizam seus produtos. “Essas escolas aumentam a fidelidade do consumidor da própria marca, seja ele o final ou o B2B. Além disso, elas ainda ajudam no crescimento de negócios que usam seus produtos como matéria-prima”, analisa Salusse


A Barry Callebaut, uma das líderes mundiais na produção de chocolate de alta qualidade, é um exemplo de empresa que criou o próprio centro de ensino, a Chocolate Academy, fundada em 2013. Com 60 fábricas em 30 países, a marca opera a Chocolate Academy em 20, e o Brasil é um deles, com sede na Avenida Paulista coordenada pelo chef francês Bertrand Busquet. 

“Não são cursos para falar apenas do nosso chocolate e sim para aprender a trabalhar com ele”, afirma o coordenador de marketing da Callebaut Brasil, Fernando Brull. Desde cursos demonstrativos (sem mão na massa), com duração de três horas, até módulos mais longos (do básico ao avançado),  com média de três dias, os alunos aprendem os primeiros passos para o manuseio do chocolate até o preparo de sobremesas mais elaboradas. Cozinheiros, confeiteiros, MEIs e consumidores são o público-alvo. Os valores dos cursos vão de R$ 90 a R$ 2 mil e incluem apostila, avental e alimentação para os alunos.


Segundo Brull, a demanda de inscrições já é maior do que a capacidade da escola. Ainda de acordo com ele, a empresa ganhou capilaridade no mercado de MEIs que trabalham com a venda de produtos feitos com chocolate, como bolos, trufas, brigadeiro, bombons, ovos de Páscoa, entre outros. “Percebemos que muitos tinham medo de trabalhar com o chocolate Callebaut por ele ser mais caro. Os cursos são uma oportunidade de quebrar alguns mitos, o que é vantajoso para os dois lados.”



Cafeteria Um Coffe Co. criou cursos para curiosos, baristas e pesquisadores da bebida Foto: Andrea Son

Em menor proporção, a empresa familiar Um Coffee Co., do setor de cafés, também investiu em sua própria escola. A história da empresa começa com Stefano Um, que nasceu na Coreia do Sul e se mudou para o Brasil aos 12 anos de idade. Até 2017, sua atuação no País era apenas como exportador de grão verde de café, plantado no interior de São Paulo. O passo inicial para se aproximar de outros públicos foi a abertura da primeira unidade da cafeteria Um Coffee Co, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Hoje, a empresa conta com três unidades na capital paulista. 


Das cafeterias, surgiu a Um Coffee Academy, comandada pelo filho de Stefano, Garam Um. A grade dos cursos acompanha os níveis de referência da Specialty Coffee Association, da Inglaterra. Com módulos que variam de três horas a três dias, eles são destinados a três tipos principais de público: o profissional do ramo, que já empreende com café ou quer empreender e por isso deseja se especializar; "coffee lovers", pessoas que não têm referências sobre cafés especiais e desejam conhecer mais sobre o tema; e pesquisadores, com a opção de curso de pesquisa em outros segmentos que utilizam o café, como bebidas alcoólicas e gastronomia


“A ideia dos cursos é fazer com que as pessoas tenham mais consciência sobre a bebida que estão consumindo e o que podem fazer com ela”, diz Garam Um. As aulas são ministradas nas unidades do Bom Retiro e de Pinheiros. Os cursos podem custar de R$ 250 a R$ 3.500, com direito a certificado e o material. 


A loja de produtos para artesanato Zôdio, do grupo francês que também opera a Decathlon e a Leroy Merlin, também investe em cursos e oficinas acessíveis que ensinam artesãos a criar novos produtos ou mesmo a formar pessoas para empreender no setor, como o curso "Crochê do Zero", pelo valor de R$ 20. Todos são ministrados em São Paulo. 

* ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES 


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